Texto por Colaborador: A. Rother 07/08/2026 - 02:30

À primeira vista, Bradley Barcola parece ser o sucessor natural de Luis Díaz, e os dados por trás de seu desempenho reforçam essa ideia: o atacante do Paris Saint-Germain poderia, sim, preencher essa lacuna no ataque do Liverpool.

Pelo modelo de similaridade de jogadores da Opta, o francês é o ponta cujo desempenho mais se aproxima do de Díaz entre as cinco principais ligas europeias na temporada 2025/26, com 78% de semelhança. Na sequência aparecem Mohamed Salah (65%), Lamine Yamal (61%) e Vinícius Júnior (61%).

Uma análise mais profunda, porém, sugere que o Liverpool não estaria simplesmente trocando um ponta por outro parecido. Barcola atua como ponta-esquerdo de origem — foi a posição em que disputou praticamente todos os seus minutos na Liga dos Campeões pelo PSG —, mas seu jogo carrega os instintos de um centroavante. Até os 17 anos, ele atuava como atacante de área, e isso ainda se reflete tanto em sua movimentação quanto na escolha dos chutes.

Na última temporada, teve média de 3,5 finalizações a cada 90 minutos na Ligue 1, número que o coloca entre os jogadores mais ativos em finalizações de toda a liga, mesmo atuando pelos lados do campo. Seus 9,83 gols esperados (xG) o posicionaram no percentil 95 entre pontas das cinco principais ligas europeias — ou seja, apenas cerca de 5% dos jogadores de ponta se encontravam, com tanta frequência, em posições melhores para marcar.

Barcola converteu essas chances em 11 gols na liga, superando sua própria expectativa de gols, enquanto nenhum outro jogador do PSG ou ponta da Ligue 1 registrou um xG total maior do que o dele na temporada 2025/26.

Esse instinto também aparece na forma como ele ataca os adversários. Barcola foi o único jogador entre as cinco principais ligas da Europa a somar, em média, mais de duas jogadas concluídas em finalização a cada 90 minutos (2,06) — um indício de sua capacidade de avançar sobre a defesa e criar as próprias oportunidades de gol. Ele também teve média de 8,69 toques na área adversária por 90 minutos, a sétima maior marca entre mais de 1.500 jogadores analisados, o que reforça o perfil de um atacante que ocupa constantemente posições de finalização. Seu mapa de chutes mostra um jogador que ataca regiões centrais e perigosas da área, em vez de arriscar de longe.

A comparação com Salah também é reveladora. Os dois representam ameaça constante de gol, mas Barcola se destaca como um jogador mais direto na condução de bola. Ele tentou mais dribles por 90 minutos do que o egípcio na última temporada (4,26 contra 3,38), mas criou menos chances (2,16 contra 2,33), arriscou bem menos cruzamentos (1,15 contra 4,89) e passes em profundidade (0,25 contra 0,59). Os números indicam um atacante que busca superar os defensores individualmente, em vez de organizar jogadas pelo lado do campo.

Há sinais, ainda, de que seu jogo segue evoluindo sob o comando de Luis Enrique. Ao longo de três temporadas disputando a Liga dos Campeões pelo PSG, o perfil de passes de Barcola tem se concentrado cada vez mais na progressão de jogadas no terço final do campo, refletindo uma maturidade tática maior — em vez de tentar o drible em toda oportunidade, ele passou a entender melhor quando acelerar o ataque e quando apenas reciclar a posse de bola.

Seu trabalho sem a bola é outro motivo pelo qual a equipe de recrutamento do Liverpool o admira: Barcola terminou a última temporada em nono lugar entre as cinco principais ligas europeias em recuperações de posse no terço final do campo, uma métrica ligada diretamente à pressão agressiva e à intensidade que devem ser exigidas sob o comando de Andoni Iraola.





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