Reprodução / The Anfield WrapAndy Robertson descreveu a semana que antecede seu último jogo pelo Liverpool como "emocionante" — mas ao longo da conversa com a imprensa, ficou claro que a temporada carregou um peso muito maior do que qualquer resultado poderia expressar.
Em entrevista à Radio Merseyside, o lateral refletiu sobre os momentos vividos em Anfield desde 2017: "Está acontecendo muito rápido, mas isso me deu bastante tempo para refletir, e essa tem sido a parte boa. Pude relembrar momentos incríveis e as pessoas maravilhosas com quem pude passar esse tempo."
Mas foi ao falar sobre a temporada que Robertson revelou o peso emocional que acompanhou o grupo ao longo de toda a campanha. A morte de Diogo Jota no verão deixou uma marca que, segundo ele, nunca foi completamente superada dentro do vestiário.
"O que aconteceu no verão com Diogo Jota, ninguém poderia ter nos preparado para aquilo. A primeira vez que vi meus companheiros de equipe novamente depois da parada da conquista do troféu foi a caminho do funeral de um deles (...) Não estamos no estágio de 2017, estamos no estágio de transição. Ganhamos a liga no ano passado. O ambiente era muito semelhante. Tínhamos de ir a 100 por cento em todos os jogos e as mensagens eram muito claras do treinador, da equipa técnica e de todos no clube. Agora este ano não correu bem por uma variedade de razões. Não podemos esconder-nos disso, e não é uma desculpa, mas o que passámos no verão nenhuma equipa passará alguma vez. Nenhum membro da equipa técnica passará. Espero que nunca passem por isso porque a devastação que vivemos… o futebol não importava. Não nos importávamos com o futebol durante semanas. Nenhum de nós queria treinar. Estavas a receber tratamento dos fisioterapeutas e os fisioterapeutas não queriam tratar-te. Essa é a realidade. Como futebolistas, claro, temos um dever — temos de seguir em frente, temos de continuar e conseguimo-lo. Começámos a temporada razoavelmente bem, embora ainda fosse um tempo emocional para nós. O jogo contra o Bournemouth [no dia de abertura da temporada] foi ridiculamente emocional com toda a família do Jota lá. Acho que no 20.º minuto viste uma queda real no desempenho depois disso por causa do impacto emocional que teve em todos nós… Tivemosemos demasiado fáceis de defrontar. Não há como esconder isso. Mas para o futuro do Liverpool, acredito que eles têm mais do que o suficiente naquele balneário para irem e alcançarem mais coisas novamente.”
Robertson foi cuidadoso ao trazer o assunto, mas também honesto sobre o impacto: "E não quero usar isso como desculpa, mas não podemos fugir disso. Tem sido difícil e não podemos esconder isso. Diogo Jota era um dos nossos melhores amigos."
Sobre a própria trajetória, o escocês relembrou a mentalidade que o levou da quarta divisão escocesa até se tornar um dos maiores laterais da história da Premier League: "Eu me dedicava 100% todos os dias — eu só queria melhorar em tudo. Queria provar para as outras pessoas que eu podia chegar ao topo."
O carinho recebido da torcida nessa reta final também o tocou profundamente: "O carinho que tenho recebido é muito emocionante, e fico muito feliz que as pessoas pensem em mim dessa forma. Sempre tentei dar o meu melhor a eles."
À Sky Sports, Robertson ainda deixou uma mensagem para os torcedores sobre seu sucessor na posição, Milos Kerkez: "A lot was said in the summer that I needed replacing, that my legs were gone. The club brought in competition and replaced me. Milos is such an exciting left back. He needed a bit of time this season, but everyone did. I needed time and I was allowed that time and we have to give him that time. He will go on to have a really good career at Liverpool. I have no doubts about that."
A identificação com a torcida sempre foi um dos pilares da relação entre Robertson e Anfield. O torcedor Adam Beattie resumiu bem: "Você consegue se ver muito nele em campo. Ele é um dos meus jogadores favoritos do Liverpool de todos os tempos. É a identificação que temos com ele. Embora tenha sido abençoado com esse talento inacreditável, ele veio de origens bastante humildes, com um preço de 8 milhões de libras e sem grandes expectativas de se tornar um dos maiores de todos os tempos."
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