Texto por Colaborador: A. Rother 05/04/2026 - 05:00

Não há como escapar do veredicto. Depois da derrota por 4 a 0 para o Manchester City, a imprensa inglesa foi implacável com Arne Slot e com o Liverpool. A segunda visita do clube ao Etihad Stadium nesta temporada foi ainda pior do que a primeira — sem sinais de evolução, sem reação, sem argumentos. Para muitos jornalistas, o futuro do técnico holandês está seriamente comprometido.

Beth Lindop, da ESPN, foi uma das primeiras a colocar diretamente em questão a permanência de Slot no cargo. Ela apontou uma torcida já descrente e a dificuldade de justificar a continuidade do treinador: "Embora seja verdade que houve uma quantidade enorme de atenuantes para a má campanha do Liverpool, as atuações consistentemente ruins e os resultados instáveis tornam difícil defender de forma convincente que Slot deva permanecer no cargo a longo prazo. Se o Liverpool sofrer uma eliminação igualmente humilhante na Liga dos Campeões, é difícil ver como ele recupera o apoio de uma torcida já desiludida."

Dominic King, do Daily Mail, foi ainda mais direto em sua publicação no X: "A situação em resumo: quando o Liverpool perde um gol agora, ninguém acredita que vai virar o jogo. Assim que o Manchester City abriu o placar, estava tudo acabado. A ideia de um resultado positivo em Paris já foi descartada por todo mundo. Cheira a mudança iminente."

Paul Gorst, do Liverpool Echo, resumiu o clima de apreensão que cerca a viagem a Paris, questionando qual evidência existe para se esperar um desfecho diferente: "Em vez de oferecer aos chefes de Slot alguma prova de que algo especial ainda poderia ser resgatado de uma campanha cada vez mais grotesca, este foi um dia que apenas encorajou o número crescente de pessoas que acreditam que uma mudança no banco é necessária para resolver essa bagunça. […] Os otimistas vão argumentar que a visita ao PSG na quarta-feira é uma chance de redimir o time imediatamente. Porém, dada a destruição sofrida nas mãos do City, quanta confiança existe em evitar um destino semelhante na casa dos atuais campeões da Europa?"

Jonathan Northcroft, do Times, foi além e analisou as fragilidades táticas de Slot, que frequentemente fazem seu sistema ir "pelos ares": "'Demitido de manhã cedo', cantaram os torcedores do City, e o holandês está em uma crise da qual só os resultados podem tirá-lo. […] Seu sistema não pareceu convincente: 4-2-2-2, com os atacantes — Hugo Ekitike e Mo Salah — abertos pelas pontas e Florian Wirtz e Dominik Szoboszlai como meias centrais. Isso permitiu alguns bons padrões na construção de jogo, mas sem a bola era uma bagunça."

Lewis Steele, também do Mail, declarou abertamente que não vê como o treinador pode reverter o quadro, com o Liverpool só "piorando": "O que o Liverpool apresentou foi o ponto mais baixo dessa temporada podre e uma ofensa aos 7.600 torcedores presentes. Os primeiros 30 minutos foram razoáveis, mas zero reação após o 1 a 0. A responsabilidade cabe, em última análise, a Arne Slot, e tenho dificuldade em vê-lo virar isso. Se algo, eles estão piorando. Os jogadores também não estão isentos de críticas. Há tanta qualidade no elenco, mas ninguém parece ter respostas. O placar foi até bonzinho. Quantas atuações fracas e sem inspiração tiveram neste ano? Vergonhoso de todas as formas hoje." Em sua coluna pós-jogo, Steele acrescentou: "Esqueça qualquer conversa sobre um ano de 'transição' — é uma desculpa esfarrapada usada apenas em retrospecto. Era suposto ser o momento em que começassem a construir uma dinastia."

Richard Jolly, do Independent, também reconheceu que as perspectivas de Slot de manter o cargo sofreram um golpe duro: "Para o Liverpool, a não ser que um grupo destruído e derrotado consiga de alguma forma se recuperar e conquistar a Liga dos Campeões — começando pela primeira mão das quartas de final contra o Paris Saint-Germain na quarta-feira —, será uma temporada sem títulos. Para Slot, já ciente de que parte da torcida quer sua saída, a trilha sonora foi de torcedores do City entoando 'demitido de manhã cedo'. E se o prazo deles for impreciso, dificilmente foi um resultado para fortalecer as perspectivas de Slot de continuar no comando na próxima temporada."

Jamie Jackson, do Guardian, olhou para o quadro maior e os possíveis desdobramentos: "O atormentado Slot sabe que a derrota mais pesada aplicada ao seu Liverpool vai prejudicar suas perspectivas no cargo, porque a próxima parada é a visita na quarta-feira aos campeões europeus, o Paris Saint-Germain. Se o time cair de maneira semelhante na Liga dos Campeões, os donos do clube podem ter uma decisão a tomar."

Salah apagado na estreia da "tournê de despedida"
Diante de uma atuação coletiva sem brilho nem reação, seria injusto isolar apenas um jogador — mas a situação de Mohamed Salah, no primeiro jogo após o anúncio de sua saída do clube, não passou despercebida pela imprensa.

Beth Lindop não enxergou a liberdade que muitos esperavam ver depois que o egípcio confirmou que deixará Anfield ao fim da temporada: "Se esta foi o início da tournê de despedida de Salah, é justo supor que seu ato final não fará jus ao que foi uma das maiores carreiras de todos os tempos no Liverpool. Havia uma expectativa em alguns setores de que, tendo anunciado que vai deixar Anfield ao final da temporada, as últimas semanas de Salah no Merseyside lhe dariam a chance de jogar com mais liberdade e criatividade. Até agora, não parece que isso vai acontecer."

Shamoon Hafez, da BBC, destacou dois dos líderes do Liverpool na derrota: "Salah é um dos maiores jogadores do Liverpool e da Premier League, mas este foi um dia para esquecer para o atacante egípcio. […] Van Dijk foi um dos melhores jogadores do Liverpool numa temporada com muito poucos bons desempenhos para os atuais campeões da liga, mas o zagueiro holandês teve alguns jogos ruins — e este foi mais um."

Northcroft, apesar das críticas a Salah, quis deixar registrado que ao menos o egípcio "apareceu", ao contrário de "certos companheiros de equipe": "Salah foi uma sombra pálida de si mesmo: poderia ter marcado quatro gols, mas desperdiçou um pênalti e uma série de chances fáceis. Ao menos Salah apareceu. Certos companheiros de equipe mal estiveram presentes. Os níveis de intensidade do Liverpool foram preocupantemente baixos para um time que deveria estar desesperado para salvar sua temporada e que está prestes a enfrentar o Paris Saint-Germain."





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