Texto por Colaborador: A. Rother 25/06/2026 - 02:00

As pausas para hidratação na Copa do Mundo seguem gerando debate. A FIFA se posicionou sobre o assunto após questionamentos surgidos durante a partida entre Inglaterra e Gana, onde uma pausa foi decretada aos 26 minutos mesmo com o jogo já tendo sido interrompido por volta dos 20 minutos devido a um choque de cabeças entre Reece James e Jordan Ayew.

A entidade justificou a medida com base no princípio da uniformidade: as pausas são obrigatórias em todas as partidas do torneio, inclusive em estádios com ar condicionado como o de Dallas, para garantir as mesmas condições de jogo a todas as seleções. "Queremos garantir condições iguais para todos e é por isso que essas pausas são implementadas em todas as partidas", explicou um porta-voz da FIFA à Press Association.

O presidente Gianni Infantino foi além ao rebater críticas e rejeitar qualquer relação entre as pausas e interesses comerciais — nos intervalos, a emissora americana Fox exibe publicidade. "É muito difícil aceitar que um treinador possa ter a oportunidade de influenciar uma partida fazendo ajustes simplesmente porque está mais quente, enquanto em outra partida, onde a temperatura é um pouco mais baixa, o mesmo treinador não tenha a mesma oportunidade", disse Infantino. "Não há receita adicional para a FIFA, já que todos os acordos comerciais foram assinados com bastante antecedência. Portanto, não se trata de uma questão financeira para nós. É uma questão puramente esportiva."

Entre os técnicos, as opiniões se dividem. O alemão Thomas Tuchel foi o mais crítico: "Acho que isso interrompe e muda a identidade de uma partida de futebol muito mais do que eu imaginava. Eu já tinha pausas para hidratação antes, quando estava muito, muito quente e eram necessárias, mas eram mais curtas. Isso praticamente divide a partida em quatro tempos."

Do lado oposto, Didier Deschamps e Carlo Ancelotti enxergam valor nas interrupções. O técnico da França ressaltou a vantagem tática: "Você consegue ter os jogadores perto de você e isso te dá a oportunidade de ajustar algumas coisas em relação aos 22-23 minutos de jogo que acabaram de acontecer. Com as altas temperaturas, é importante poder dar essa oportunidade extra ao treinador principal. É algo positivo — isso é um fato, mas nos leva a dividir o jogo e, se você estiver em uma posição forte, depois dessa pausa, precisa voltar a jogar. Mas nos adaptamos a isso, inclusive já previmos essa situação em nossa preparação." Ancelotti foi mais direto: "Você pode explicar um problema aos jogadores e fazer um ajuste tático que pode ser muito bom."

No campo médico, há quem defenda que as pausas deveriam ser ainda mais longas. Douglas Casa, diretor executivo do Instituto Korey Stringer — organização especializada em prevenção de mortes súbitas no esporte — recomenda intervalos de até seis minutos por tempo.





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